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Antes de tentar redigir com eficiência, prepare-se para ser eficiente.

28.May. 2020
por Claudia Atas

panico-de-redigirUm redator insatisfeito com seu texto me pediu socorro dizendo: “quanto mais escrevo, mais me afasto do foco planejado para o livro que pretendo publicar”. Sentindo que entrou num labirinto e dele não consegue escapar, pediu-me ajuda para recuperar, na redação, sua ideia original.

Ampliar continuamente o foco de um projeto é como mergulhar em ideias e não conseguir voltar à tona. Assim como querer esgotar o tema é como submergir nas informações, afogando-se num mar de possibilidades. O problema é relativamente comum.

Insegurança, “preguiça mental”, desconcentração e despreparo diante da complexidade do tema abraçado costumam paralisar o redator ou comprometer a obra. Dentre esses elementos paralisantes, creio que insegurança e “preguiça mental” se associam mais claramente à falta de habilidade  redacional.

Ainda não estou satisfeito com o material pesquisado, preciso me atualizar com as novas obras sobre o assunto, surgiram alguns imprevistos… são justificativas comuns. Defensáveis, é claro, mas têm prazo de validade. Não se pode postergar (*) indefinidamente a coleta e seleção do material de apoio nem a redação do esboço final da estrutura do trabalho.

Redatores deveriam observar seu comportamento, principalmente em obras de fôlego. Insegurança, “preguiça mental” e desconcentração podem significar medo de assumir o conteúdo ou pânico de redigir. No caso do autor que me procurou, acredito que o fato de redigir em estado de processo sem fim, mascava tanto o seu receio quanto o pânico de redigir.

Compartilho com você as recomendações que ajudam a resolver boa parte desse problema. Estão divididas em duas partes. Hoje, publico a primeira delas:

1- “Hora de redigir”

Questione-se: você já dispõe de informações importantes, fundamentais para o seu trabalho? Se a resposta for sim, então é hora de encerrar coleta e análise do material. Comece a escrever a primeira versão do texto.

Tranquilize-se: esboços não amarram, ao contrário, libertam os autores de várias amarras: procrastinação, exigências superlativas, fadiga física e mental trazidas, quase sempre, pela armadilha do “trabalho perfeito”.

2- Desapego

Selecione o que será usado. E defina o que ficará de fora – sem receio: o material não será jogado na cesta do lixo, apenas, sairá da seleção e ficará arquivado para consulta, se for o caso.

Jornalistas costumam passar por essa situação. A maioria aprendeu que é preciso ter “coragem de jogar fora” do texto final frases inspiradas, fatos curiosos, informação nova comparações interessantes que estejam distantes do foco predeterminado e, pior, atraem digressões.

Nos próximos dias, publicarei a segunda parte desta artigo, comentando e descrevendo os cuidados e as atitudes que recomendo adotar no momento de olhar para a “tela branca” e escrever as primeiras frases.

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(*) Postergar e adiar são sinônimos de procrastinar, comportamento que a psicologia trata como fenômeno motivacional. Sabemos, por experiência própria ou de terceiros, que quase todas as pessoas adiam tarefas e decisões, vez por outra, por vários motivos “positivos” ou “ativos”: recuperar a energia, refletir melhor, quebrar a rotina e outras intenções. Quando a procrastinação é excessiva, recorrente, pode ser caracterizada como “negativa” ou “passiva”, ou vício comportamental que encobre, entre outras causas, a intenção evitar assumir responsabilidades.

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