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Por que é tão difícil falar e escrever “um bom português”?

28.November. 2018
por Claudia Atas

Falar e escrever bem é tarefa difícil até para os melhores participantes de concursos como ENEM e Fuvest.

Gramática, em rigor, exige atualização e consultas permanentes dada a complexidade de algumas regras e, também, devido às contradições entre os próprios especialistas. É comum encontrar, para vários casos, gramáticos e dicionaristas que autorizam “o errado” e desautorizam “o certo”, tornando aceitável o inaceitável e vice-versa.

Cito dois exemplos: a expressão  em rigor, tida como correta, mas preterida por a rigor,  preferida por 9 entre 10 redatores brasileiros; e a polemizada conjugação do verbo adequar para as três primeiras pessoas do singular – “adéquo”, “adéquas”, “adéqua” – defendidas pelo linguista/dicionarista Antonio Houaiss e condenada pelos “tradicionalistas”.

Portanto, redatores em situação de formalidade plena, como ocorre em vestibulares e concursos públicos, atenção para essas discussões e, na dúvida, optem pela gramática tradicional.

A questão “bom português” envolve outros fatores, como as exigências de acordo com faixas etárias (criança/adulto) e o contexto cultural de quem escreve e sobre o que escreve (particularidades regionais, por exemplo).

Neste blog, o objetivo é ajudar os visitantes a melhorar sua comunicação escrita. Portanto, os textos precisam ser gramaticalmente impecáveis, porém, sem os “exageros” da norma culta.

De fato, com eventuais exceções, aqui você encontra textos gramaticalmente corretos e certo nível de sofisticação no vocabulário e na construção das frases.

Essas características, porém, não significam que a autora não erre de vez em quando. Como sei dessa probabilidade, raramente escrevo sem consultar dicionários e professores de português. Posso ter um bom nível, mas sofro quando não me ocorre o termo preciso para determinada circunstância, ou quando desconfio que as regras possam ter mudado.

Escrever bem é cansativo. Especialmente para quem não pretende ser educador. Preciosismos gramaticais, regras que caem, retornam e caem novamente; vocabulário e estilos ultrapassados; polêmicas em torno do certo e do errado; criações “por conta própria”, como campi, na gramática oficial, e câmpus, que o jornal O Estado de S.Paulo criou e usa para se referir ao conjunto de campos de uma universidade.

As dificuldades vão além do desconhecimento das regras gramaticais. Muitas delas exigem memória. Você já pesquisou a diferença entre em vez de e ao invés de – mas vive esquecendo. Aprendeu a crasear “devido à distância, costumo ir de avião”, mas lhe dizem que para tirar a crase quando se trata de ensino a distância.

Também já lhe ensinaram que o “núcleo do sujeito” determina a concordância verbal – como no caso de “foram usados 10 milhões de sacolas” ou “10 milhões de sacolas foram usados”; mas os jornais costumam desprezar o núcleo e usar o complemento do sujeito: “foram usadas 10 milhões de sacolas”, quando dez por cento dos alunos faltaram às aulas podem ser feitas a distância.

O assunto é complexo. Vai além das regras e parece ganhar relevância o que cai no gosto ou no desgosto da mídia e da população, como mostram esse e centenas de exemplos publicados diariamente nos jornais.

Não se pode resumir o problema a um ou dois culpados, como alguns simplificam – o aluno que não aprende, a língua que é complexa, o jornalista que subverte as regras e as regras que são obsoletas, ou inconstantes. O tema merece – voltarei a comentá-lo.

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