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Molecagem do Estadão: Rosa Weber protagoniza deboche na capa do jornal

17.April. 2018
por Claudia Atas

O Estadão criou um bom exemplo de mau jornalismo. Publicou uma capa antiética, desmoralizadora e especialmente desrespeitosa para com a estrela dessa produção: a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal.

Edição de 0h50 do dia 05 de abril de 2018

Edição de 0h50 do dia 05 de abril de 2018

Avessa a exposições públicas, Rosa foi o centro da atenção no julgamento e, também, na primeira página do jornal (último dia 5): no STF, pelo seu voto, considerado o fiel da balança; no jornal, por uma gargalhada fora de contexto.

Na foto de meia página, com o colega Dias Toffolli (desfocado), a gargalhada de Rosa choca, independentemente das posições ideológicas dos leitores. Choca pela situação artificial jocosa, marota.

Capturada por fotógrafa do Estadão, a gargalhada se associou à vigorosa manchete – “STF libera prisão de Lula” – e induziu o leitor a erros:

– Rosa não gargalhou nem durante nem ao final do julgamento do pedido de habeas corpus preventivo para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva;
– O perfil, a conduta e a reputação de Rosa não se coadunam com o desafio de “quem ri por último ri melhor”
– Rosa não celebrou o veredicto.
Quem riu por último e celebrou a derrota de Lula foi o Estadão.

Por que Rosa gargalhava?

Nunca saberemos, porque essa foi uma edição marota: apesar da postura sóbria durante a transmissão do julgamento pela TV – na leitura dos votos e ao final do julgamento que negou habeas corpus para Lula – Rosa gargalhou no Estadão.

Edição 25 minutos depois - 1h15 - do dia 5 de abril de 2018

Edição 25 minutos depois – 1h15 (5/4/ 2018)

Vinte e cinco minutos depois da primeira edição (0h50), o bom senso prevaleceu e a capa foi trocada (1h15) por outra, convencional.

Agora, a imagem da celebração pública do jornal permanece apenas entre alguns assinantes. Removida junto com a primeira edição, também não aparece na reprodução digital do jornal impresso.

Contudo, cá está ela, para nossa reflexão.

Ao mesclar contextos, o jornal não apenas criou uma notícia falsa como promoveu uma desmoralização geral – do próprio jornal, de uma reservada ministra do Supremo e do STF, além de, faltando com a verdade, haver desrespeitado seus leitores.

Se há algo de bom nesse episódio é servir de exemplo de má prática jornalística aos focas que frequentarem os cursos de jornalismo de O Estado de S.Paulo.

 

 

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