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Cinco questões para melhorar a redação …já!

22.January. 2018
por Claudia Atas

Por hábito, anoto rapidamente o que me chama a atenção quando vejo, ouço e leio qualquer tipo de informação. Podem ser boas e más soluções que sirvam de exemplo para aumentar a qualidade da comunicação oral e escrita.

Com essa prática, amealhei muitos “casos”. Com cinco deles, devidamente analisados, Clareza & Coerência inaugura 2008.

1.   Contexto e surpresas contextuais

Repórter da Rádio CBN entrevista um dos moradores retirados de um conjunto habitacional financiado pelo governo. Embora relativamente novos, os prédios ameaçavam desabar:

– O senhor está aliviado?

– Não, estou indignado.

Esse curtíssimo diálogo ensina as respostas do seu interlocutor podem ser inesperadas, menos óbvias. Neste episódio, o entrevistador esperava a concordância do entrevistado e, com um pouco de sorte, acrescentaria um comentário sobre a sensação de alívio. Porém, a resposta foi mais densa.

Lembre-se: contexto é um conjunto de fatores e um deles pode prevalecer, dando margem a uma conversa menos óbvia.

Dica: ao formular perguntas, oralmente ou por escrito, antecipe a possibilidade de uma resposta inesperada. Esse condicionamento pode aumentar suas chances de receber informações mais amplas e precisas.

Folha de S.Paulo, 19/8/2017, A02

Folha de S.Paulo, 19/8/2017, A02

2.   Modismo em regência verbal

“Prezar por, prezar pelo, prezar pela” é um erro: a regência desse verbo exige objeto direto: prezar alguém, prezar o quê?

Excelentes redatores já embarcaram nesse modismo, como mostra a imagem ao lado (“que pouco preza pela qualidade do gasto”.

Meu palpite para a expansão dessa mania é a afinidade sonora e semântica entre os verbos prezar e primar. Mas, no caso deste último, o complemento precisa ser um objeto indireto: “prima pela qualidade” ou, reescrevendo o trecho da Folha, “não prima pela qualidade do gasto…”

3. Cacófato

Uma das várias vantagens de ler o que se escreve é impedir que um cacófato ridicularize um texto sério. Esse vício de linguagem é a desastrada união da última sílaba de uma palavra com a primeira da palavra seguinte. Como neste exemplo, a junção involuntária de ca + ga:

JBS expliCA GAfe em campanha: “imagem de arquivo http://www.meioemensagem.com.br/home/ultimas-noticias/2017/03/22/jbs-explica-gafe-em-campanha-imagem-de-arquivo.html

 

4- Entusiasmo excessivolead-entusiastico

O lead à direita é tocante (sem trocadilho) e atraente. Mas o excesso de entusiasmo limitou a criatividade do redator, que elaborou três versões da mesma ideia: o som invade os espaços, reverbera pela vizinhança, ecoa por entre as casas.

Aqui, não se trata de erro, pois o estilo literário cabe no tipo da notícia. Mas o exemplo serve de alerta:

1- Quando redigir textos menos informais, cuidado: a empolgação leva ao exagero e a possibilidade de cometer deslizes aumenta.

2- Revisar texto é sempre importante; mais ainda, se tiver sido escrito sob emoção.

E por falar em revisão,

 

5- Um desafio

que-para-que

Vamos remover repetições indesejáveis, como “para”, e um esquisito “que para que”?

Reconstrua o parágrafo ao lado com essa intenção.

Tente.

Se achar muito difícil, apoie-se nesta sugestão, que respeita o estilo e a intenção do texto:

Um documento obtido pela Reuters informa que os fundos seriam suficientes apenas para cobrir alguns contratos destinados a criar protótipos do muro. A construção de uma barreira, porém, exigirá que a Casa Branca convença o Congresso a destinar fundos específicos para essa finalidade (ou para essa estrutura).

 

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