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Aprender a conviver

26.November. 2017
por Claudia Atas

Uma jornalista ocupa cargo inédito no The New York Times: Editora de Gênero. Mulheres sauditas começarão a dirigir automóveis e poderão entrar em estádios esportivos, a partir de 2018. Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil foi tema de redação no Enem 2017, enquanto feminismo, transgênero e racismo estavam entre as questões do vestibular da Unicamp (1ª fase).

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Aziza Yousef  dirige em estrada de Riad, na Arábia Saudita, como parte de uma campanha para desafiar a proibição de mulheres conduzirem veículos no país (AP Photo/Hasan Jamali -2014)

Sem dúvida, o mundo reage às expressões de desigualdade e preconceito. Em várias frentes e velocidades, quase sempre, de forma pacífica.

Contudo, manifestações contra desigualdade e preconceito, já coibidas no âmbito legal, também exigem mudanças no indivíduo – intelectuais e comportamentais.

Aceitação e respeito ao tipo de orientação sexual, a deficiências físicas e mentais, a diferenças culturais e outras marcas da desigualdade são obtidas de forma mais ampla, efetiva e duradoura quando ensinadas, maturadas e assimiladas internamente.

Neste sentido, acredito que um método eficaz para alcançar esse resultado é a incorporação das chamadas competências socioemocionais na formação educacional das crianças e adolescentes.

Em São Paulo, acabam de chegar ao currículo do Ensino Fundamental (rede pública) habilidades socioemocionais como tolerância à frustração, solidariedade, convívio harmonioso com os diferentes, entre outras. Será o fim do bullying?

Nem tanto, mas esse tipo de abuso estará melhor controlado pela instituição, pelo grupo e… pelo próprio bully. Será, isto sim, uma guinada no ensino, com poder de influenciar pais e repercutir em outros meios sociais.

Habilidades mais importantes

Os participantes da Série de Diálogos, realizada pela Associação Inspirare, Instituto Porvir e Instituto Ayrton Senna, classificaram em dois grupos aquelas que consideram as mais importantes competências socioemocionais:

Competências prioritárias: autoconhecimento, amabilidade, autoconfiança, autocontrole, autonomia, comunicação interpessoal e intrapessoal, cooperação, engajamento, interesse por aprender, motivação.

Competências de valores: amor, gratidão, gentileza, humildade, senso de justiça, respeito, solidariedade.

Para quem não acompanha o assunto, habilidades ou competências socioemocionais podem parecer modismo educacional. Mas, desde o século XIX, elas se relacionam com formação para o convívio equilibrado e conciliador.

“Aspectos sociais e emocionais estiveram no centro da reflexão de pensadores clássicos da Educação, como Lev Vygotsky, Jean Piaget e David Ausubel (1918-2008)”. (Associação Nova Escola)

Neste século, o interesse pelo assunto extrapola o ensino básico e se coloca no mundo corporativo como diferencial de qualidade de funcionários e colaboradores. Valorizam-se, nessa esfera, a curiosidade, a autoconfiança, a responsabilidade e a criatividade.

“Na era das tecnologias, da internet e da globalização, engana-se quem pensa que o importante é ter conhecimento técnico e operacional. Na verdade, as empresas têm procurado cada vez mais profissionais que saibam se comportar diante de situações complexas que envolvem equilíbrio e saúde emocional.”  https://escoladainteligencia.com.br/habilidades-socioemocionais-x-mercado-de-trabalho/

No post anterior, falávamos de profissionais incapazes de dizer não – quando um não é necessário – e, até mesmo, responder ao interlocutor indicando que sua pretensão não será encaminhada ou aceita.

No contexto deste artigo, essa dificuldade constitui mais que uma falha de comunicação. Nitidamente, trata-se uma falha de comunicação do profissional desprovido de habilidades socioemocionais.

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