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Assédio sexual e o direito de seduzir e escolher

17.April. 2017
por Claudia Atas

A campanha do Estadão – desigualdade de gênero e violência contra a mulher – realizou sua “quarta ação” com mais uma ideia da FCB Brasil. Em plena passarela da SP Fashion Week (março passado), quatro modelos deram à luz, literalmente, mensagens assertivas e provocadoras contra o assédio sexual:

Fotos: JF DIORIO/ESTADÃO

 “Decote não é convite”

“Minha saia não é permissão”

“Me visto como eu quiser”

“Perna de fora não é provocação”.

Pintadas com tintas fosforescentes, as frases se revelaram quando a iluminação caiu sobre elas. No nível da linguagem, nada corresponderia melhor ao tema da “quarta ação”: sexismo invisível.

É inegável o sucesso midiático das frases reveladas, capazes de encher os olhos da sofisticada plateia da Fashion Week e, igualmente, empolgar leitores dos noticiários que repercutiram a novidade.

Evidentemente, ações vapt-vupt não têm fôlego para estimular debates consistentes e frustram os que lutam exatamente para conquistar essa atenção e desdobramentos positivos. As mensagens foram breves como a passagem das modelos. Efêmeras como os flashes que as acompanharam. Ineficientes para o desdobramento que se espera em assunto de tamanha relevância.

As mensagens pintadas seriam capazes de disparar um processo de informação e conscientização para o público difuso na sociedade, vulnerável ao jogo da sedução, que depende mais dos hormônios, da educação e das circunstâncias do que da moda, das roupas ou da nudez.

O evento publicitário iluminou afirmações do direito das mulheres de exibirem seu corpo. E nisso ficou. Obscurecida permaneceu, também, a ideia do seu direito de escolher com quem querem compartilhar intimidades de qualquer grau ou natureza.

Não há por que se espantar, então, com as reações machistas publicadas sob o artigo do jornal digital: http://emais.estadao.com.br/noticias/moda-e-beleza,estadao-faz-manifesto-contra-assedio-sexual-na-spfw,70001703217

Esse feminismo capenga não sabe que rumo seguir. Vejam que, ao mesmo tempo que algumas delas dizem que mulher mostrar o corpo em propagandas é virar objeto, outras dizem que se vestem como quiser, inclusive mostrando o corpo, e que isso não é provocação, como vemos nessa matéria. Por isso digo que esses movimentos feministas são apenas modismos, estão com os dias contados porque vão implodir no futuro com a colisão de ideias desordenadas.

Que desperdício de tinta, principalmente naquele “decote” sem conteúdo.

Falta do que fazer

Olhem essas mulheres. Estão quase peladas. Sabem que isso mexe com os homens. De bobinhas nenhuma tem nada! Estão sim provocando intencionalmente. São umas va…das. Sim, vcs são va…das e caras-de-pau! Merecem sim o nosso desrespeito. Não respeito gente má intencionada e hipócrita.

Para que o jogo da sedução seja uma relação de prazer sem abuso, cabe ao homem reconhecer e aceitar a rejeição, quando ela se apresenta. Reconhecer como direito de escolha da mulher e complemento necessário ao seu direito de escolher a quem permitirá ir além dos olhos arregalados diante das passarelas.

É frustrante ver as frases pintadas morrerem na sua própria “ação”.

 

 

 

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