Skip to content

Jornal online supera seu calcanhar de aquiles

31.October. 2015
por Claudia Atas

Durante uma semana de férias, saí fora da rotina em vários aspectos. Um deles, a leitura de dois jornais impressos, que troquei pelo noticiário online, um conjunto desuniforme na qualidade do texto e na credibilidade das fontes. Confesso, porém, que minha opinião sobre o jornalismo da internet agora é favorável e já não merece a pecha de inferior, superficial e inconfiável.

Edição do Jornal do Brasil de 28 de maio de 1995, em que o editor chefe, Dacio Malta, anunciava o lançamento do JB on line.

Edição do Jornal do Brasil de 28 de maio de 1995, em que o editor chefe, Dacio Malta, anunciava o lançamento do JB on line.

Confrontado por leitores do jornal tradicional – formado por múltiplos cadernos recheados de análises, frequentes reportagens de fôlego, profissionais exímios na arte de escrever, muitas fotos e gráficos em belas composições – o jornal de internet começou mal.

Há exatos vintes anos, Jornal do Brasil e Folha de S.Paulo (maio e julho de 1995) publicavam suas notícias na internet e, logo em seguida, em tempo real. Nestas duas décadas, o produto eletrônico foi se aperfeiçoando, a ponto de, hoje, haver superado o impresso, em termos de audiência.

Já não se pode atribuir a preferência do leitorado, fundamentalmente, à leitura rápida – e preguiçosa – dos que não gostam de ler jornal ou alegam não dispor de tempo para isso.

Tomando como referência empresas jornalísticas de alto nível, como O Globo, Jornal do Brasil, Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo e Correio Braziliense, por exemplo, creio que a sofisticação e o aprofundamento do noticiário da internet significaram tanto uma solução para as limitações de espaço do jornal físico quanto uma saída para manter o negócio (o que comento mais abaixo). Mas, também, é fato que o jornalismo eletrônico contempla (e estimula) o público desejoso de aprofundar o que viu, ouviu e leu em outras fontes.

Em resumo, vejo três grandes inovações no jornalismo online:

Primeiro: empresas jornalísticas foram muito além de oferecer uma versão online de suas publicações: elas são capazes de captar, produzir e publicar notícias em questão de horas, ou minutos, subvertendo um pilar da tradição jornalística: a frequência de 24 horas, para jornais, e de uma semana, quinze dias, um mês, para as revistas.

Segundo: são capazes de divulgar fatos imediatamente após sua ocorrência ou assim que tiverem conhecimento de sua ocorrência (breaking news);

Terceiro: também se beneficiam com mais duas possibilidades inviáveis no jornalismo impresso: (1) atualizar as próprias notícias ao longo do dia, seja complementando-as, seja corrigindo-as; 2) deletá-las, iniciativa impensável no jornalismo até pouco anos atrás.

Sucesso a baixo custo

O jornal eletrônico “roubou” os anunciantes do jornal impresso, que tentou frear a transferência reduzindo o valor dos seus anúncios. Não conseguiu e perdeu sua tradicional base de sustentação. Essa transferência ocorreu em todo o mundo.

Para dar um exemplo eloquente, cito o The New York Times. Há cinco meses, em entrevista à agência Reuters, o diretor executivo Mark Thompson afirmou que o prejuízo do NYT, no primeiro trimestre deste ano, foi de US$ 14 milhões. E apontou, entre os dois principais fatores desse mau resultado, a queda da publicidade impressa. Thompson também reconheceu que o jornal digital é a principal área de crescimento da empresa.

Hoje, em todo o mundo, jornais impressos lutam para sobreviver. Eles se socorrem com versões online de seus próprios produtos, ou se associam com outras empresas, ou, ainda, encerram suas atividades.

Dois fatores concorreram para esse fenômeno: um deles é o baixo custo de publicações online, comparativamente às produzidas em papel. O segundo fator para essa migração publicitária é a discrepância entre o crescimento continuo de leitores-internautas e a queda de circulação das publicações impressas.

É lógico que os internautas busquem a facilidade de acesso a noticiários gratuitos – ou quase. Ao mesmo tempo, é evidente que publicitários corram atrás de mídias com alto índice de leitura. E, na internet, não faltam, hoje, publicações de sucesso para os públicos-alvo dos seus clientes!

Uma dramática e inesperada inversão dos fatos para o negócio jornalismo.

 

Deixe uma resposta

Observação: Você pode usar HTML básico nos seus comentários. O seu email não será publicado.

Assine este comentário via RSS