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Teste a sua comunicação escrita – respostas e comentários

1.September. 2013
por Claudia Atas

Estas são as respostas para as questões do teste da semana passada:

1. Abuso do verbo fazer. 

Como Fazer Relações Governamentais e Institucionais: eliminar “fazer”, mantendo praticamente intacto o sentido da construção “fazer relações”.

A construção mais fiel ao original usaria a raiz de relações, que leva ao verbo relacionar:

Como relacionar-se com governos e instituições”.

Também estes títulos respeitam o contexto (divulgação do curso, objetivos):

Como relacionar-se bem com governos e instituições

Como alcançar seus objetivos no relacionamento com governos e instituições

Como tornar proveitosas suas relações com governos e instituições

As vantagens de um relacionamento profissional e ético com governos e instituições

2. Qual é o plural correto? a) avós; b) avôs;  c) ambos

Ambos, desde que você não troque o sexo dos avós que pretenda mencionar: avôs é correto apenas para indicar dois indivíduos do sexo masculino.

3. Onde está o erro?

a- (…) minha forma de se expressar (…).

O autor misturou duas pessoas: euminha forma de me expressar” – e ele/ela – “sua forma de se expressar”.

b- (…) De forma alguma quero me apropriar do texto de alguém (…) e tão pouco menosprezar uma visão. 

O correto é tampouco (nem, também não), cuja pronúncia, hoje em dia, é igual a tão pouco (pouca quantidade), levando facilmente ao engano entre um e outro advérbio.

 c- (…) não era nenhum pouco didática, (…)

Nenhum (nem um) seria correto se  empregado diante de didatismo (substantivo): “nenhum didatismo” (sem didatismo). Frente ao adjetivo, o correto  é nem um pouco didática. Compare com este exemplo: “nenhuma feminilidade / nem um pouco feminina”.

d- (…) quanto mais curta e mais clara for à definição (…)

A crase é o erro dessa construção. O correto é: “quanto mais clara for a definição”. Compare: quanto mais claro for o exemplo…

e- (…) não sou adepto ao marketing (…)

“Ser adepto de” é o correto.

f- Pesquisa revela porquê as pessoas deixam de seguir você no facebook.

Correto: por que. Livre-se desta dúvida, para sempre, aplicando estas construções-teste: “Pesquisa revela por que razão, por que motivo, devido a que as pessoas deixam de seguir você no Facebook.”

g- Você sabe aonde pisa?

Tolerável quando se fala, inaceitável quando se escreve: pisar aonde equivaleria a pisar para onde. Por isso é usado com verbos de “movimento”, como ir: “Aonde você vai?” O correto, portanto, é “Você sabe onde pisa?

h- Poste fotos no Instagram (…) do ambiente da agência ou escritório que [você] trabalha (ou é dono).

A regência é uma das vítimas preferenciais da linguagem verbal. Falando ou escrevendo, use o certo: “o escritório em que (onde) você trabalha”.

i- Porque participar de um prêmio de jornalismo?

Por que é o certo. Veja a resposta dada ao item f

j- (…) têm certos assuntos que ainda sou leigo como o anúncio da vaga de analista de SEO (…)

O problema, também aqui, é a regência: quem é leigo, é leigo em algum assunto, sobre algum tema. Assim, o autor deveria ter assumido que “Há certos assuntos sobre os quais ainda sou leigo”.

Por que empreguei “há”? Porque o sentido do verbo ter, na sentença original, não é “possuir”.

Por que apliquei um ponto final após “leigo”? Para não repetir a incoerência do original – ser leigo sobre uma vaga de analista.

k- (…) a captação de recursos por meio da Lei Rouanet gira em torno de R$ 1,16 bilhão anuais.

Antes de chegar a R$ 2 bilhões, não há plural: R$ 1,16 bilhão.

l- Faça a sua solicitação de pedido de orçamento e nos envie já.

Eliminando a redundância  – solicitação de pedido – e o desnecessário verbo fazer, a frase fica bem melhor: “Solicite seu orçamento e nos envie (o formulário, o pedido) já”.

m- O e-mail abaixo parece tratar-se de caso de desinformação.

O autor usou duas construções incompatíveis: “e-mail” como sujeito ou “trata-se”, em que o sujeito fica indeterminado. Ele deveria escolher uma destas duas alternativas:

“O e-mail abaixo parece ter sido motivado por desinformação (do cliente, do leitor, do reclamante)”; ou

“Sobre o e-mail, abaixo, parece tratar-se de desinformação (do cliente, do leitor, do reclamante)”.

4. Como tornar esta frase mais objetiva, ou menos prolixa, sendo fiel ao sentido original?

“(…) a busca da valorização da comunicação interna deve ser entendida como estratégia básica dos empresários que desejam a efetividade de sua organização”

Embora o estilo acadêmico se justifique porque a autora da frase é uma doutora em Ciências da Comunicação, sempre se deve buscar a clareza e a objetividade quando se escreve. O peso da redação original poderia ser aliviado em torno destas possibilidades:

“Entendemos a valorização da comunicação interna como uma estratégia básica de todo empresário que almeja uma organização eficiente.”  (obs. parece que eficiente corresponderia à intenção da autora)

“Valorizar a comunicação interna é, a nosso ver, uma estratégia básica para empresários que almejam uma organização eficiente.”

A partir destas sugestões, creio que a autora concordaria em reescrever sua frase. E perdoaria nossa intromissão.

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