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Fazer: o assédio de um verbo sobre as nossas mentes.

9.February. 2012
por Claudia Atas

Você vive sem fazer? Isto é, consegue escrever mais de 10 linhas sem usar esse verbo?

Se você normalmente fica de olho em outra possibilidade,  é uma saudável exceção. Calculo que 90% das pessoas sequer percebem a quantidade de vezes que empregam fazer quando escrevem qualquer texto, para qualquer público.

Nada bom. Como afirmei antes (27/01/2012), esse abuso empobrece o texto. Consequentemente, perdem-se oportunidades de obter mais precisão, concisão, ênfase e requinte. Veja este título do Estadão de hoje: O Estado de S.Paulo, 9 de fevereiro de 2012

 

Creio que há vantagens  nesta versão:

 Em 2009, discurso de Lula inflamou quartéis

Quais? A meu ver,  mais precisão, ênfase, elegância e força – sonora e rítmica.

Redator habituado a brecar o fazer (e o ter) toda vez que esse verbo assedia sua mente com promessa de resolver o problema de ajuste título/tamanho da linha, foca o substantivo e, havendo sobra de espaço, pode introduzir mais informação, mais detalhe. Por exemplo:

Em 2009, discurso de Lula sobre reajuste inflamou quartéis

A “bandeja” de exemplos fica para uma próxima vez, sem as considerações que costumam acompanhar as questões tratadas. Mas, já que prometi, dou um outro exemplo. O texto, também de hoje, foi escrito por uma profissional que escreve muito bem:

O Estado de S.Paulo, 9 de fevereiro de 2012

 

 

 

 

 

 

 

Na sexta linha, Dora Kramer,  assediada pelo fazer, escreve  “fazem um planejamento”, que, com as vantagens assinaladas, poderia ser trocado por “(os ministérios) planejam”.

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