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Fazer com estilo. Ou a banalização do verbo fazer.

27.January. 2012
por Claudia Atas

Leu o título da notícia abaixo? Não procure erro, a questão é de estilo.

Aposto que você vai reclamar:  “Ah, já tenho de me preocupar com erros… Estilo é perfumaria”. De fato, erro gramatical deve ser a preocupação principal, mas provo que estilo é importante – às vezes, decisivo. Aponto três aspectos negativos corrigidos pela atenção ao  estilo:

(1) Abuso de determinadas palavras. Além da mesmice, a banalização no uso de “fazer” e outros termos causa estas duas conseqüências:  (2) imprecisão causada pela generalização; (3) excesso de palavras, em contraposição à economia de espaço proporcionada pelo estilo.

Tente fazer um título preciso, conciso e elegante para substituir o original. Dica: eliminar o verbo fazer e “ir direto ao assunto”.

O Estado de S.Paulo, 23/ 01/ 2012, pg. A11

 

Que tal “Tripulantes homenageiam vítimas do naufrágio”?

Não vamos culpar o jornalista. Jornais usam colunas estreitas – portanto, linhas curtas que facilitam a leitura. Essa vantagem cria uma saia justa para quem titula. Eu teria direito a férias de vários meses se meu banco de horas registrasse o tempo que passei criando títulos que coubessem no tamanho das linhas determinadas. Justifica-se, portanto, o título original da matéria.

O problema é que o uso de fazer (e ter!), como uma epidemia lingüística, contaminou formadores de opinião que, por sua vez, contaminaram professores, profissionais e estudantes de todas as áreas, usuários de redes sociais, enfim, quase todos nós, seja quando falamos, seja quando escrevemos.

Em um próximo post, trarei uma bandeja de exemplos sobre uso excessivo e banalizado de fazer e ter.

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