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Precisão não é preciosismo

17.August. 2011
por Claudia Atas

Usar ou não palavra “difícil” para a maioria dos seus leitores – eis a questão. Se você vive esse dilema, tenho alguns argumentos para ajudá-lo a se decidir.

Ouço termos incomuns na fala de populares entrevistados, no meio da calçada, por repórteres de rádio e TV que colhem a “opinião do povo” para ilustrar suas matérias.  São termos que, na boca de um ator de novela protagonizando o tipo “popular”, seriam considerados incompatíveis.

Na minha opinião, cabe o uso de palavra incomum quando for precisa na definição de um fato, adequada para a circunstância e difícil de ser substituída. Exemplo: o concurso foi realizado com lisura.

Provavelmente, a média de consumidores não saberia definir lisura, ou lhe dar  um sinônimo, mas   certamente compreende que se trata de honestidade quando lê que “a promoção será realizada com total lisura”.

As pessoas não gostam de exibicionismo intelectual, porém, pelo que observo, sentem-se valorizadas com alguma “sofisticação”, acreditando que a empresa, o jornal, o palestrante confiam na sua capacidade de compreender.

A repórter Laura Capriglione provavelmente pensou assim ao optar por um termo incomum no lead de uma matéria para a Folha de S.Paulo (18/6/11). Minha ressalva é a falta de contexto para ajudar a os leitores a compreender o sentido de “melífluo”, que, certamente, a maioria ignora. O mérito, neste caso, foi incentivar uma consulta ao dicionário. Avalie você mesmo:

Morada do REI

Para quem se acostumou com o Roberto Carlos melífluo de canções românticas como “Detalhes” ou “Como É Grande o Meu Amor por Você”, o que apareceu na noite de quinta, em plena avenida Juscelino Kubitschek (zona sul), era irreconhecível.

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