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Armadilhas da pressa e da distração

4.May. 2011
por Claudia Atas

Esta notícia tem ótimos título e lead (introdução). Mas, provavelmente, a correria do jornal diário levou o redator a cometer alguns deslizes, que ele perceberia em uma segunda leitura do texto. Veja:

Folha de S.Paulo, 17 de julho de 2010 Pg. C1
Até canteiro vira vaga para carro em Cumbica

Estacionamento chega a improvisar 500 vagas para suprir superlotação

O estacionamento do aeroporto de Guarulhos (Grande São Paulo) passou do limite. No maior campo para pousos e decolagens do país, faltam vagas para parar o carro durante a manhã e no final da tarde. Cerca de 3.500 veículos espremem-se em um espaço destinado a 3.000.

Observe:

  • a escolha do verbo: “suprir superlotação
  • o pleonasmo: “faltam vagas para parar o carro
  • a lógica: “cerca de 3.500 veículos espremem-se em um espaço destinado a 3.000

Minha opinião:

  • “suprir” seria mais adequado para o complemento “a falta de”, “a carência de”, e não o seu contrário, “a superlotação”. Melhor seria “… 500 vagas para suprir a carência”, “para suprir a falta de vagas”
  • Dispensar “parar o carro” para escrever “faltam vagas pela manhã e no final da tarde”
  • Se 3.000 veículos ocupam vagas disponíveis, apenas 500 se espremem em áreas proibidas, como pista para retorno, calçadas e canteiros gramados

Aproveito para sugerir mais concisão: Em vez de “Estacionamento chega a improvisar 500 vagas”, melhor seria “Estacionamento improvisa 500 vagas.

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