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Três revisões para apurar o estilo

20.April. 2014

Qual é a construção correta:

“A expectativa era que todos viessem” ou “a expectativa era de que…”?  
“Quase todos que prometeram, vieram” ou “quase todos os que prometeram…”?
“No Brasil, se consome, em alimentos, pelo menos 14 venenos proibidos no mundo”? Ou seria se consomem?

Acredito que você já se irritou algumas vezes por não conseguir tirar uma dúvida gramatical simplesmente porque não sabia o nome do problema! Caso das frases acima, aposto, ótimas para criar esse tipo de insegurança e nos lembrar dos nossos antigos mestres, hoje inalcansáveis  

Por sorte, uma professora doutora (Gislaine Marins) que ama o que faz, a ponto de compartilhar seu conhecimento,  (http://palavrasdebulhadas.blogspot.com.br/), nos socorre aqui:

1. Com preposição ou sem preposição? 

Certificou-se que as portas estavam fechadas / certificou-se de que…;
 O fisco suspeita que agiram de má fé / suspeita de que agiram…;
A expectativa era que o PIB crescesse 5% / A expectativa era de que o PIB…;
Foi informada que havia vagas / foi informada de que havia vagas; 
Insistiu que o e-mail fora enviado/ insistiu em que o e-mail…; 
A possibilidade que você seja sorteado é pequena / a possibilidade de que você seja sorteado…;
Cresce a convicção que se deve aprovar a pena de morte /cresce a convicção de que…

2. E neste caso?

Comunicamos a todos que desejam participar do debate que permaneçam /  Comunicamos a todos os que desejam participar…

3. Qual a concordância verbal adequada (veja o negrito):

Tem gente que atravessa a rua para escorregar na casca de banana que está na outra calçada. A doutora Dilma atravessou o Atlântico para escorregar em Lisboa pelo simples culto à blindagem de suas agendas. Transformou um simples jantar em reunião da VAS-Palmares. Acreditar que a ex-ministra-chefe de Comunicação Helena Chagas tivesse algo a ver com essa obsessão exige que se desconheça as duas… 
(Elio Gaspari, Folha de S.Paulo, 02/02/2014)

Que você, que eu desconheça? Ou que se desconheçam…

Respostas de Gislaine:

1: Em todas as alternativas acima, a resposta correta é sempre a segunda, ou seja, com preposição. Não há uma explicação gramatical “lógica” para a necessidade da preposição – a questão é histórica. A única consideração que podemos fazer é de tipo sociolinguístico: no uso da preposição constatamos uma sutil separação entre os poucos falantes que privilegiam a riqueza historicamente sedimentada na língua e a maioria dos falantes que, mesmo errando, aposta em uma construção mais simples e direta. Neste caso, a única certeza são as listas fornecidas pelas gramáticas e pelos dicionários de verbos.

Um uso inovador é sempre visto em princípio como erro gramatical, pois uma mudança na língua leva muito tempo para ser consolidada. Nesse sentido, basta lembrar a velha polêmica da contração da preposição “para” que nos anos setenta costumava ser escrita “pra” e que hoje recebe uma interpretação bem clara: “para” é a preposição usada na forma escrita; “pra” é uso informal e oral. Em relação à supressão das preposições, o princípio é análogo: prudência nunca é demais, se não quisermos que o nosso texto salte aos olhos por questões que distraem o leitor dos aspectos que consideramos essenciais.

2: Ambas as construções estão corretas. Podemos escrever “todos que”, “todos os que…” ou mesmo “todos aqueles que desejam…”.

Os brasileiros tendem a especificar expressões nominais. Deixar de lado as especificações ocorre ou por ser uso regional, como o português falado em certas zonas do Nordeste, que dispensa o artigo antes dos nomes próprios; ou para indicar um distanciamento que pode ser percebido como formalidade. O título de reportagem “Governador repassa verbas para a Secretaria da Cultura” revela menos proximidade do que esta hipotética manchete: “O Presidente fez um apelo durante a Assembleia da ONU”.

Pessoalmente, gosto da expressão “todos que” – ela não produz eco (todos os – repetição de “os”) e é mais sintética, sem perder em termos de conteúdo. Mas, se você deseja evidenciar que se trata de “todos” (todos mesmo!), então a ênfase que a expressão “Todos os que desejam” dá aos termos “todos” e “que” é de valor indispensável. Em resumo, o contexto e que determinará uma ou outra escolha.

3: O correto é dizer “ (…) Acreditar que a ex-ministra-chefe de Comunicação Helena Chagas tivesse algo a ver com essa obsessão exige que se desconheçam as duas…“.

Na linguagem falada tendemos a colocar os verbos no singular, mesmo quando se trata de uma passiva sintética – exemplo: “Vende-se casas”, quando o correto é “Vendem-se casas” (“casas são vendidas [por alguém]”), com o agente da passiva no plural; no caso analisado, “que se desconheçam as duas”, ou sejam, “que as duas sejam desconhecidas [por alguém, que pode ser o leitor]”). Como o Elio Gaspari é um grande jornalista, creio que o  erro de concordância verbal só pode ter sido um lapso.

Vale a pena observar que se trata de uma frase complexa. Além da passiva sintética (se), temos o uso do infinitivo pessoal (acreditar), que poderia ser especificado para benefício da clareza: “Acreditar [você, o brasileiro] que a ex-ministra-chefe de Comunicação Helena Chagas tivesse algo a ver com essa obsessão exige…”.

 

 

Eutanásia ou ortotanásia?

16.March. 2014
por Claudia Atas

O brasileiro é contra ou a favor da eutanásia? Sim, você está certo: antes de opinar, todos deveríamos entender o conceito e desfazer equívocos.

Le Soir (jornal belga): Rei Felipe assina lei sobre eutanásia para menores.

Comento o assunto a propósito da eutanásia sem restrição de idade, aprovada pela Bélgica há pouco mais de um mês. Agora – o rei Felipe sancionou a lei no último dia 3 – o direito à eutanásia, permitida desde 2002 a maiores de 18 anos, se estende a crianças e adolescentes.

A maior parte das pessoas entende eutanásia como o ato de desligar aparelhos de doente terminal ou recusa de tratamento longo e doloroso. Na verdade, estes casos seriam mais apropriadamente chamados de ortotanásia – morte natural, na hora certa. Aí está o ponto que nos interessa.

A Medicina tem recursos cada vez mais eficazes para prolongar a vida – conquista que já curou ou deu qualidade de vida a tantos doentes que não mais se questiona sua utilização.

No entanto, essa capacidade adquiriu, ao longo do tempo, um poder autoritário sobre pacientes e familiares, seja porque vai ao limite do que médicos e pacientes são capazes de dar e suportar, seja pelo tabu da morte “provocada” por se privar o doente de recursos disponíveis.

A polêmica, que vem e vai ao sabor das notícias, como a nova lei em vigor na Bélgica,  alimenta-se da interpretação que se dão aos conceitos de eutanásia e ortotanásia.

Para mim, foi esclarecedora a entrevista que realizei com o especialista em bioética, Leocir Pessini (Leo Pessini, em seus livros), para a revista Medicina Social *:

Padre camiliano e vice-reitor do Centro Universitário São Camilo (…), Pessini conta que há 25 anos luta para esclarecer esses conceitos. “Há quem pense que eutanásia seja desligar os aparelhos que mantêm a vida de uma pessoa com morte cerebral.” Na verdade, esse é um caso típico de ortotanásia, no qual se reconhece a impossibilidade terapêutica de recuperação, como quadros de Alzheimer, demência, Parkinson, ou Aids e câncer em sua fase final. Para o sacerdote e professor, não há dilema quando se esgotam as possibilidades terapêuticas: “Nada se pode fazer na linha de investimento terapêutico de intervenção visando cura, mas há tudo o que fazer na linha do cuidado e do conforto”. 

Em resumo,

 “Entre abreviar a vida, que é a eutanásia, e prolongá-la, a distanásia, situa-se a ideia da morte certa, no tempo certo, no lugar certo. Este é o conceito de ortotanásia, palavra de origem grega cujo prefixo, orto, significa correto”.

As ideias não conflitam; apenas, devem ser compreendidas na perspectiva de morte natural.

A matéria “Morte com dignidade” foi publicada na edição nº. 197 (abril-junho/2007) da revista Medicina Social, da Abramge – Associação Brasileira de Medicina de Grupo. Para consultas, estes são os dados de acesso: Tel.: (11) 3289-7511; Fax: (11) 3266-3975 / 3289-7175; e-mail: abramge@abramge.com.br

O leitor pergunta… E você, responde?

11.February. 2014
por Claudia Atas

A mídia não atrasa 24 horas a publicação de fatos relevantes, mesmo quando faltam informações ou elas se contradizem. Correto– obter e esclarecer informações pode demandar um tempo que certas matérias não podem esperar. Incorreto é deixar o leitor em dúvida, obrigando-o a reler o texto para conferir seu entendimento, e até a consultar outra fonte.

Normalmente, jornalistas deixam claro quando informação e fonte estão momentaneamente indisponíveis e/ou dependem de confirmações e pesquisas. Mas essa prática está sendo negligenciada, como se pode aferir nas quatro matérias analisadas a seguir.

1- Neymar e pai receberam 61,2 milhões de euros

Valor é mais do que 50% superior ao que o Barcelona havia anunciado inicialmente pela transferência (Folha de S.Paulo, 25 de janeiro de 2014, pg. D3)

A descoberta do custo real da transação leva o leitor a perguntar:

Por que os envolvidos combinaram anunciar um valor 50% inferior ao efetivamente pago? Para enganar o Fisco? Se os clubes, o jogador e sua empresa agiram corretamente, por que construíram essa versão?

2- Por que, como o trem descarrilou?

Reportagem do Estadão (23/01/13, pg. A19) informa que um trem descarrilou, derrubando o suporte da rede elétrica, que, por sua vez, provocou um colapso no transporte ferroviário na capital fluminense. O leitor pergunta: como, por que o trem caiu fora da linha? Caiu o trem, um vagão ou vários vagões? Se não houve vítimas, será que uma composição vazia teria colidido com outro trem, este ocupado por passageiros? O que precipitou o descarrilamento? Frustrou-se o leitor que procurou respostas em outros veículos, como O Globo, G1.globo.com e cbn.globoradio.globo.com.  Certamente, ele teria ficado menos insatisfeito lendo na Folha de S.Paulo (23/01/13, pg. C7) texto mais coerente.

“A colisão de um trem com um poste que sustentava a rede elétrica (…) paralisou a rede elétrica (…)” (lead)

Mais adiante, o redator explicitou que as informações precisavam ser complementadas:

“A concessionária (Supervia) ainda investigava as causas do acidente, mas negou que tenha havido falta de manutenção (…)”.

3- A versão oficial sobre o Mais Médicos?

Apesar da ruidosa polêmica sobre a contratação de profissionais estrangeiros que integrariam o programa Mais Médicos, todos – leitores, jornalistas, jornalistas-críticos e jornalistas-comentaristas – fomos surpreendidos com a descoberta da Sociedad Mercantil Cubana Comercializadora de Servicios Médicos, até então oculta. Ficamos sabendo, afinal, que o contrato entre Brasil e Cuba, com participação prevista de 6.000 médicos, não foi intermediado pela Organização Panamericana de Saúde (Opas), como garantia o governo brasileiro. Foi “terceirizado”. O leitor pergunta:

Por que a mídia, embora cética, deixou de investigar o caso? Por que só agora o Ministério Público do Trabalho divulga que o atendimento ambulatorial exercido pelos médicos do programa se caracteriza como “vínculo laboral”, nada se assemelhando a um curso de pós-graduação, ou especialização, como alegado pelo governo?

4- Matéria dá voz a autoridades; liderança do MSTS fica de fora.

O Estado de S.Paulo, 23 de janeiro de 2014, pg. A20

Boa reportagem, bom texto e um injusto desequilíbrio entre protagonistas. Apesar de seus oito mil manifestantes zanzando pela região do Morumbi, o dia todo, e de haver se reunido com o governador Geraldo Alckmin, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto está desfocado no fato que criou. Guilherme Boulos, “um dos coordenadores do MTST”, atua não no papel que lhe cabe no ato, mas como coadjuvante do repórter, estimando indiretamente – sem aspas – valor de moradias. A desproporção é objetiva quando se computam as falas diretas e indiretas dos protagonistas. Compare:

Alckmin promete, governador recebeu, o governo estadual prometeu, a prefeitura informou (duas vezes), segundo a Polícia Militar, o governo decidiu, Torres afirmou (duas vezes), Torres também garantiu, o Ministério das Cidades informou, o secretário disse.

A referência aos manifestantes sugere um “livrar-se do mal maior”:

Quando a marcha chegou ao Estádio do Morumbi, o governo decidiu atender o MSTS para evitar que a multidão avançasse até o Palácio dos Bandeirantes.

Neste parágrafo, a incrível exclusão do MSTS na reunião que conquistou:

“O encontro teve a participação do governador Geraldo Alckmin (PSDB), o secretário estadual da Habitação, Silvio Torres, e o secretário da Casa Civil, José Aparecido.” O lideres, ou os líderes do movimento ficam de fora.

Leitores simpatizantes e não simpatizantes do movimento se perguntam:

Por que nenhum líder falou sobre a estratégia e as expectativas do movimento? Como avaliar o MSTS, suas reivindicações, sua liderança quando falam só as autoridades? Até que ponto as rotinas da profissão e das manifestações anestesiam os jornalistas?

Colocar-se na pele do interlocutor e do leitor não é fácil para nenhum de nós. Mas temos de nos vigiar. Afinal, esse é um dos maiores desafios para os comunicadores, especialmente ao lidar com as diferenças.

Três “cases” de sucesso: III- publicidade em formato jornalístico

21.January. 2014
por Claudia Atas

Meu terceiro exemplo de boa comunicação impressa é um informe publicitário encartado no jornal O Estado de S.Paulo (9/12/ 2013).

Produto bom se prova por algumas qualidades, entre as quais, sem dúvida, a capacidade de atrair o leitor. Peguei, folheei e… li. 60 anos de Osesp (tabloide de oito páginas) merece a atenção de profissionais, particularmente os de comunicação corporativa.

Sobre um modelo tradicional, a produção optou por um design clean e um texto  objetivo, obtendo bons resultados. Entre eles, um informe atraente e fácil de ler. Leitura exige mais que “limpeza”, sem dúvida, mas é sua condição.

Informes publicitários tendem a atulhar o espaço com todas as informações que o cliente deseja ver publicadas. Não raro, acompanhadas de elementos gráficos e fotográficos desnecessários ou excessivos, além de cores que brigam com o texto. Essa ornamentação pode atender a preferência do cliente, mas, entre os publicitários, não são poucos os que adoram enfeites ou os adotam antecipando-se ao que presumem ser o gosto do freguês.

Clientes podem preferir a publicidade barroca. Mas é função do prestador de serviço oferecer, sempre, alternativas que privilegiem o fundamental da publicidade, com algumas exceções: a informação objetiva.

Osesp 123123

O informe da Osesp diz a que veio, sem rodeios, sem o tão abusado nariz de cera – separa as sessões objetivamente e usa tipografia elegante, leve e facilitadora.

Objetividade, a meu ver, é a maior virtude do trabalho – o que não o livra de algumas impropriedades, como certas fotos “insossas”, genéricas; a falta de título para amarrar a página dupla (acima); e os esquemáticos títulos de seções (retrancas). Mas o leitor, sem dúvida, saiu ganhando.

Três “cases” de sucesso: II – o anúncio de La Bohème pela prefeitura de São Paulo

6.January. 2014
por Claudia Atas
O Estado de S.Paulo, 09/12/2013, pg C5

O Estado de S.Paulo, 09/12/2013, pg C5

Está mais do que na hora de conceituar “case de sucesso” como usado nesta série. Aqui está: é o produto de comunicação impressa que me caiu às mãos, me atraiu e me entusiasmou. Ou seja, as escolhas não resultam de levantamento e o critério de qualidade é totalmente subjetivo.

Em outras palavras, os três cases desta série constituem, a meu ver, exemplos da boa comunicação – status que, num blog lido por estudantes, acadêmicos e profissionais de comunicação, adquire significado de elogio e aplauso.

Neste sentido, meu segundo exemplo (o primeiro foi publicado em 9 de dezembro de 2013) é o anúncio que a Prefeitura de São Paulo publicou nos jornais para divulgar a temporada de La Bohème.

A ideia e a execução (veja ao lado) resultam em uma peça criativa, charmosa, com apelo adequado à natureza estética do serviço. Enfim, uma guinada, em se tratando da conjugação ópera-Teatro Municipal, relativamente ao padrão de publicidade usual.

Três “cases” de sucesso: I – texto de embalagem

9.December. 2013
por Claudia Atas

Semana de boas surpresas no marketing, em termos de embalagem, anúncio e informe publicitário (tabloide).

Começo pela caixinha de sucos “Do Bem”, que extirpa, do estilo coloquial, os detestáveis tons de sapiência, falsa intimidade e conselheiro do consumidor.

Do Bem embalagem

Discorrendo com imaginação, humor, elegância e, acima de tudo, equilíbrio, o “narrador” dá o seu recado sem ser invasivo nem impositivo – o que costuma acontecer com frequência na ânsia de muitos profissionais em conquistar, identificar-se com o consumidor.

Quem são esses produtores?

Jovens cansados da mesmice. 

Recomendação antes de beber?

Agite (as laranjas agradecem)

 

Do Bem embalagem SAC

Ao descrever o método de produção, o redator adiciona invencionices agradáveis, no limite do bom senso, e, pasmem, sem os erros de português com que a publicidade procura imitar o discurso verbal.

“… as laranjas são beeeeeem lavadas, espremidas, gentilmente lavadas…”

Outras boas sacadas são o nome do SAC

Fale, fale, fale 

e a opção para o contato via Correios:  

se preferir à moda antiga, Rua Visconde de Pirajá…

Em suma, um estilo que, além da compatibilidade com seus prospects, demonstra maturidade e coerência.

Na próxima semana, comento duas outras peças que merecem elogios.

Na próxima semana, comento duas outras peças que merecem elogios.

 

 

 

 

Tentações irresistíveis

27.November. 2013
por Claudia Atas

Quem não se deixou seduzir por palavras, frases, legendas e títulos “ideais” ou “adequados” à matéria que, no entanto, foram banidos em uma leitura crítica?

É disso que trato, hoje. Os três exemplos publicados aqui contêm, a meu ver, falhas e impropriedades de redação ou edição. Veja o que você acha:

1- Legenda ou foto inadequada?
 
O Estado de S.Paulo, 19/9/2013, pg. A 34 Multidão. Tentativas de enganar fiscais foram descobertas.

 

Uma das lições que aprendi foi a coragem de jogar fora o que é bom, bonito, diferente, mas… inadequado ao contexto. No caso, a foto (Rock in Rio) remete a assunto desconectado do aspecto tratado na legenda. Alguns leitores acharam que os fiscais da legenda estavam checando a segurança da moça suspensa por cabos de aço. Nada disso: o assunto deles era outro assunto, como se lê no texto em destaque.

 

2- Sensibilidade também é critério de escolha

Palavras carregam significados e estes devem ser levadas em conta, especialmente se a conotação pejorativa estiver em jogo. Nem o IBGE nem a imensa maioria dos comunicadores ousa chamar pessoas com pouca, ou baixa ou nenhuma qualificação profissional de “desqualificados”. Foi o que fez a Folha (6/10/2013, Capa).

 

3- Estilo coloquial parece fácil, mas não é. 

 Comumente, a língua culta, nosso instrumento de trabalho, interfere na redação ou domina o discurso. O resultado geralmente é ruim, como se vê no fecho deste anúncio (site da Tea Connection), que força o coloquial, inclusive com uma pergunta artificialmente construída.

Estilo Coloquial - Esforço

A intrigante HQ da Folha

13.November. 2013
por Claudia Atas

A história em quadrinhos que a Folha de S.Paulo publicou, no último domingo, contando a despedida do ex-embaixador norte-americano no Brasil, Thomas Shannon, foi surpreendente. Para quem não viu, reproduzo a página, logo abaixo.

Quadrinho na Folha

Folha de S.Paulo, 10/11/13, pg. A20

Seria intenção da Folha dar força ao ex-embaixador, usado como bode expiatório da atual crise de relacionamento entre os dois países? Ou minimizar o mal-estar causado pelo discurso, considerado agressivo, a cargo de um diplomata de terceiro escalão?

Também é possível que, ao optar por ilustração que remete ao gênero HQ, a Folha não tivesse nenhum parti pris – apenas a necessidade de resolver um problema prático: ilustrar matéria grande sem fotos, ou, quem sabe, preencher o espaço que a matéria não cobriu.

Minha impressão é que, visualmente, a Folha tratou o caso com humor – veja o ex-embaixador procurando a carta na caixa de correio. Mas ouvi de um leitor interpretação bem diferente – como não havia fotojornalistas no almoço de despedida, a Folha usou o recurso para criar uma identificação entre o leitor e o personagem, tornando mais direta as sensações de mágoa, humilhação e indignação de Shannon.
Triste epílogo para quem foi casado com brasileira e curtia o Brasil…

Vamos melhorar? Respostas.

2.November. 2013
por Claudia Atas

Aqui vão as respostas para as cinco questões propostas no último teste:

1- Por que este conjunto título-subtítulo-chamada denota negligência?

Nas três seções, repete-se a mesma ideia com as mesmas palavras ou a mesma construção: “usou logística de Maluf”, “utilizando estrutura usada por ex-prefeito” e “usou a mesma logística empregada pelo ex-prefeito Paulo Maluf…”.

Ao menos na chamada, que oferece mais espaço ao redator, informação ainda não aproveitada poderia ser inserida, sendo mais útil ao leitor.

2- O que se pode eliminar deste lead, porque dispensável, aumentando sua qualidade estilística?

A última frase: “Por isso comecei este artigo com a frase: “Cliente, acredite, nós estamos do mesmo lado”.

Um título marcante, como esse, não precisa ser justificado com a repetição no lead– por sinal, claro e incisivo a respeito. Além disto, o corte proporciona uma vantagem: levar o leitor mais diretamente ao argumento do artigo.

Mesmo mantendo o original, ainda me parece mais interessante eliminar o título: “Muitas vezes tive vontade de dizer ao cliente que estávamos do mesmo lado. E muitas vezes o fiz.”

Observe que esta questão não trata de erro, mas de estilo, e que o texto oferece uma boa oportunidade de exercitá-lo.

3- Onde está a incoerência deste trecho?

A frase inicial pressupõe uma verdade, ou, apresenta argumento bastante lógico. Mas está associada a erro: “Veja esses e outros erros …”

Não seria necessário ler o original. Mas, nele, descobre-se por que o autor se enganou:

Aqui está o que você deve estar fazendo errado na negociação, e o que precisa fazer para consertar.

#3. Você não percebe que cada contato junto a um cliente potencial é uma negociação

4- Quais são os dois erros na resposta do entrevistado?

1- “todo uma preparação nela” – um erro muito comum entre pessoas que costumam usar esse tipo sofisticado de construção (toda uma série de cuidados, toda uma história, …) . O correto é “toda uma preparação”.

2- “é feito”. O entrevistado reforça o masculino “todo uma preparação”.

 5- O que ficou ruim neste título?

No título, o cacófato: “Texto de García Lorca ganha 1ª montagem profissional…”

Na Nota, “sobre qualquer hipótese”, quando o correto é “sob qualquer hipótese.

 

 

Vamos melhorar? Teste para debater estilo, lógica e gramática.

28.October. 2013
por Claudia Atas

As cinco questões abaixo formam um quadro interessante sobre os fatores que concorrem para prejudicar um texto ou uma edição de página– pressão do tempo (1), sutileza de estilo (2) e lógica (1) e negligência gramatical (2).

Você pode responder e publicar sua resposta. Ou aguardar a minha, no final da semana.

1- Por que este conjunto título-subtítulo-chamada denota negligência?

Suspeito no caso Alstom usou Logística de Maluf

Ex-diretor da CPTM transferiu US$ 836 mil para conta na Suíça
utilizando estrutura usada por ex-prefeito e acusados no Banestado

Logística
…………………………………………………………………………………………
• Ex-diretor da CPTM João Roberto Zaniboni usou a mesma logística empregada pelo ex-prefeito Paulo Maluf e pelos acusados no caso Banestado para mandar dinheiro ao exterior

O Estado de S.Paulo, 21 de outubro de 2013, Pg. A7

Edição - repeteco

2- O que se pode eliminar deste lead, porque dispensável, aumentando sua qualidade estilística?

CLIENTE, ACREDITE, NÓS ESTAMOS DO MESMO LADO 

Ao longo de minha experiência em agências e até estando dentro das empresas para quem prestava serviço, uma coisa me chamou atenção: os clientes, por mais parceiros que sejam, em alguns momentos dão a impressão de que estamos querendo boicotá-los ou que seus resultados positivos não são importantes para nós. Por isso comecei este artigo com a frase: “Cliente, acredite, nós estamos do mesmo lado”. http://ekoeducacaocorporativa.com.br/cliente-acredite-estamos-lado/?goback=%2Egde_3011406_member_5798526760773500928#%21

3- Onde está a incoerência deste trecho?

Você sabia que toda interação com o seu potencial cliente é uma negociação? Veja esses e outros erros que você pode estar cometendo durante a negociação e aprenda a…   http://www.jornaldoempreendedor.com.br/destaques/inspiracao/3-coisas-que-os-empreendedores-fazem-errado-quando-negociam?goback=%2Egde_1440177_member_274126162#%21

4- Quais são os dois erros na resposta do entrevistado?

PERGUNTA – Como é feita a preparação da moto para o motovelocidade?

ADRIANO – No meu caso, minha moto é uma CBX 250 TWISTER, é feito todo uma preparação nela, as carenagens são modificada, sistema de freio, pedaleiras são reposicionadas, (…_ http://www.jmjmotos.com.br/novidades/entrevista-realizada-com-piloto-de-motovelocidade-adriano-freitas-paraiba

 5- O que ficou ruim neste título?

Texto de García Lorca ganha 1ª montagem profissional em SP  (Folha de S.Paulo, 13/7/2011, Ilustrada, Pg. E11)

E nesta Nota da do Conselho da Policia Civil?

“(…) não permitiremos sobre qualquer hipótese que forças negativas avancem contra as autoridades constituídas (…)”.

O Estado de S.Paulo, 25/9/2013, pg. A16

Repeteco 21 out 13 A7 aumentado